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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Aonde mais eu poderia estar?

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Num hotel de loucos
Na sala de estar
Dum hotel de loucos
Clichê me encontrar

Onde fico rouco
De tanto gritar
Fico louco
E posso me matar

Fico oco
Sem me julgar
Não me dizem “bobo”
Se não regular

Onde foi ao encontro
Meu último bem-estar
Num hotel de loucos
Na sala de estar.

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sábado, 9 de janeiro de 2010

Poesia do armário

Muitos querem
Poucos conseguem
Sair de mim

Esconder-se
Dado tempo
É bom

Uma hora
Perde a graça
Eu digo: “saia”

Ele veste a saia
E sai.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Aos anos velhos e aos anos novos


Balanço do anus: 750 cagadas.
Para o próximo, desejo: 750 cagadas.
Passar a virada de marrom
Seria sensato.

Comilança e bebida
Até o cú fazer bico.
No primeiro do ano,
Uma bela cagada.

Faltam 749.

sábado, 8 de agosto de 2009

Esmero

Se um dia encontrares
E levares a todos os lugares,
Carregares contigo o peso,
Por considerares que deve ser levado a sério
Enganado estarás
É superestimo teu

Algo que te corroeu,
Te corrói e te destrói,
Sem ao menos perceberes que nada é tão sério
Que possa ser levado a sério

Como pode ser sério e passageiro
Porque tudo é passageiro,
Tudo passará
E quando menos esperares,
Resolvido estará

Desperdiçaste o que não volta
E o que não volta não é mais
Ainda bem que não o é
O que eras já não és

Resolvido estará
Como num passe de mágica
Nem que seja na morte que finda
No nascer do sol ou no cair duma lágrima.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O que há devir

Pensei saber o que viria
Tentei antecipar o será
Pena que se tornara seria
Queria eu, tanto que fosse

Não é
Queria viver no seria
Quero o que era pra ser
Só tenho o que é

O ser
O que é
Não quero
Tenho

Prevejo o será
Manipulo o é
Para transformá-lo
Em seria

Só satisfeito
Quando o seria for é
E o é
Se tornar seria

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O não-regresso da não-esquecida lembrança

Sentado, sem esperança
Cada pensamento é tortura
Quer parar, pára por segundos
Quando percebe, volta à lembrança

A tortura o domina
A todo custo se distrai
Por mais segundos
O pensamento se abstrai

A volta é súbita
Súbita como a morte
A morte súbita do futebol
É sabido, virá a qualquer sorte

Hora distraído, hora lembrado
A memória está, é.
Por hora, abstraída
Por hora, lembrada

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Religião e O Pato

Dedos entrelaçados, cotovelos apoiados, o cheiro é defumado.
Da cabeceira, o chefe profere as palavras lentamente,
os murmúrios das laterais o acompanham instintivamente.
Cotovelos desapoiados, o ritual está começado, agora desfrutam o almejado:
O pato defumado, com tanto carinho, foi preparado.
E a pergunta: por que no domingo e não na segunda?
Resposta mascada, com a boca no pato.
Tinir dos metais, tudo encerrado, a pergunta das laterais:
Quando vão parar de inventar rituais?