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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Acreditar é preciso, mudar não é preciso


Há muito tempo venho fazendo críticas às religiões, crenças e igrejas, e, muitas vezes, aos religiosos ou aos que possuem algum tipo de crendice. Se é justo, não sei. Acho mais justo criticar as próprias instituições que se valem da ignorância ou ingenuidade alheia para enriquecer ilicitamente. Os que se entregam a essas instituições e enriquecem os manipuladores de massa, por qualquer motivo irracional, acham que estão fazendo o bem. Se por um lado há o conformismo inerente à alienação, por outro existe a crença num mundo melhor, que será alcançado através da fé e da transformação das pessoas. Crêem, além de todos os dogmas, na mudança do ser humano, conseqüentemente da sociedade por inteiro. Apesar de alienados, conseguem enxergar que há salvação num mundo de perdição.

Existem os comunistas, esquerdistas, socialistas, nazistas, fascista e outros itas por aí a fora. Todos acreditam, se não em Deus ou num ser supremo, em uma ideologia. Ideologia essa que tem o poder de mudar o mundo para melhor, pelo menos na visão de mundo melhor deles. Pode-se questionar os meios utilizados para realizar essa mudança, mas esse não é o mérito. A crendice, que foi tantas vezes criticada neste blog, é o ponto que queria chegar. Antes qualquer crença tola em mudança, por mais atroz que possa parecer – “defender” o nazismo e o fascismo hoje em dia é pedir para ser execrado -, do que a alienação conformista.

Direitistas, defensores do capitalismo, dos Estados Unidos, justificam atos inadmissíveis, dizendo que se qualquer país estivesse no lugar dele faria o mesmo. Ou afirmam que o ser humano é assim mesmo, que sendo “honestos” com o jogo do capitalismo já estariam fazendo suas partes. São descrentes, alienados, acreditam na grande imprensa e na cidadania exercida pelo voto, na grande ditadura disfarçada de democracia, imposta desde não sei quando pelos EUA. Pode até parecer teoria da conspiração, mas antes crer em conspirações malignas do que padecer do mal do século XXI: a descrença.


Mesmo a própria descrença não é descrença, e sim uma credibilidade no sistema, uma crença tão cega e irracional quanto às dos evangélicos ou comunistas. A diferença está na mudança. Crer que o mundo é assim e pronto é mais alienante do que conceber que a sociedade poderá ser transformada pela fé dogmática. A grande diferença: acreditar em mudança ou crer em estagnação.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sonhos bobos... e tolos


Enquanto o mundo a nossa volta vai acontecendo, vamos nos adaptando. Tentando nos adaptar sem fugir das nossas raízes, mas é claro que esse mundo que acontece a nossa volta, por mais que lutemos, interferirá, mais cedo ou mais tarde, em nossas vidas. No início lutamos, enrijecemos, resistimos aos novos fatos. Boa parte desiste da luta nas primeiras oras, deixam-se levar pela preguiça e pelo medo de subverter a nova “onda”. Outros vão um pouco mais longe, mas também tombam. E há os que preferem morrer a perder a ternura.

Difícil achar quem prefira o atrito, a sombra da derrota, a possibilidade de ceder. Conformar-se e continuar vivendo impera no sentimento alheio. Arriscar a estabilidade não está mais na moda, e como a moda (costumes) dita o comportamento, o que há de essencial é a estabilidade econômica e a preocupação com o próprio umbigo. Equilíbrio econômico, tanto individual, quanto no âmbito de Estado: a moda agora é não ser oposição, é ser a oposição da oposição, o retorno do que já era, com intuito de continuar sendo o que sempre foi.

De repente seja apenas o fantasioso que impregnou no imaginário, mas o passado sempre parece mais romântico, mais tolo, mais... Repleto de sonhos bobos. Jovens petulantes e prepotentes superestimavam-se, tinham a ideia tola de que poderiam mudar o mundo que acontece a sua volta; acreditavam, talvez por intuição, que o mundo não estava de acordo com o que eles idealizavam, e de alguma forma, nem que fosse em discussões improdutivas, tentavam modificar qualquer coisa, mesmo que em vão.

Poder-se-ia dizer que os jovens de agora são mais inteligentes, mais realistas... Que têm os pés no chão. Poder-se-ia dizer que os velhos de hoje, os jovens de outrora, eram tolos e sonhadores e que ilusões não levam a lugar algum. Poder-se-ia dizer que Joe Gould foi um dos maiores tolos, que o livro “O segredo de Joe Gould”, de Joseph Mitchell, nem deveria ter sido escrito. Uma história de um mendigo (quem estiver lendo ou pretende ler o livro deveria parar de ler o post agora) que não acreditava na História contada nos livros de escolas, que estava escrevendo “A grande história oral da humanidade”, pois cria numa revolução da História, contada a partir dos relatos de pessoas “comuns”, e ao chegar nas últimas páginas o leitor depara-se com a mentira, descobre que Joe Gould estava escrevendo nada, que era um grande mentiroso. Poder-se-ia dizer que a história de um mendigo mentiroso não mereceria anos da dedicação de Joseph Mitchell e nem as árvores cortadas para a fabricação do livro. Poder-se-ia dizer que “O segredo de Joe Gould” fora escrito em vão. Poder-se-ia dizer... Mas não fora dito por alguma razão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sentimentos da razão


Tentar achar uma lógica para qualquer coisa é forçar a barra. É claro que sempre acabamos achando lógica para tudo ou quase tudo, e se não encontramos, damos um jeito, nem que seja o absurdo de atribuir um sentido só para satisfazermos a nossa própria inquietude de não conseguir viver em dúvidas e em um mundo onde nem o sentido e nem a lógica fazem, com o perdão da piada, sentido.

O sentimento simplesmente obstrui a razão, não estou nem dizendo que não se deva acreditar nesses sentidos acrobáticos que atribuímos ao longo da vida para melhor lidarmos com ela, somente que existe uma distinção que deve ser feita, do que se sente e do que se acredita, do que é e do que não é, da razão e do sentimento.
Uma coisa é não conseguir conceber certos fatos explícitos, e por sentimento ou intuição, deduzir que não é bem assim que as coisas funcionam. Outra coisa é não conceber, mas saber que não há lógica nem razão para chegar àquela conclusão, somente o afago de conseguir colocar sentido onde não tem.

É desconfortável saber que alguém que roube, mate e não é pego não receba nenhuma punição, então concluímos, sem estudos, que essa pessoa receberá sua punição invariavelmente, seja em vida, seja depois de morto. Também não é confortante reconhecer que alguém, por pura sorte (acaso) venha a desenvolver um câncer ou sofra um acidente grave e morra com pouca idade. Para aliviarmos a pressão de que nem sempre a vida é justa e é feita de acasos. Tudo bem pensar assim, só é preciso saber que é pura crença sentimental e não há fundo de racionalidade nisso.

Também não estou defendendo que para crer em algo necessita-se usar a lógica e nem que a vida deva ser regida por ela, muito menos que a razão é mais importante do que a emoção. Só há de se diferenciar as razões que levam às crenças e saber que de lógico não há nada e a vida é curta para se viver só de lógica e razão.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Dádiva da Dúvida

Eis que surge, do nada, uma ideia. Brilhante, opaca? Ideia. Em tempos de escassez, qualquer linha de pensamento é válida, ou, quem sabe, seria de mais valia o vácuo mental. Talvez a ausência de raciocínio seja sim, uma ideia, cuja interpretação acarretará uma dúvida paranóica: será esse silêncio a própria ideia? Ou será a falta dela? Também surgirá a incógnita: melhor um dito tolo, ou um silêncio calado? Mesmo que, o calar-se, por pura ausência de pensamento, um nada não dito, já não o é, o nada fora dito, mesmo que, sem dolo de haver significado, ele o tem.


Assim como o silêncio insignificante, palavras proferidas, muitas vezes, sem significado, têm o mesmo efeito. Fica o dito e redito por não dito. Tão difícil quanto mensurar o calar expressivo, mesmo que por pouco tempo, é interpretar palavras soltas que nada dizem, ou dizem o nada. Por vezes, é confusa até uma frase concisa, até porque, o caminho traçado a partir da ideia de transmitir um pensamento, nem sempre, ou geralmente, tem o objetivo simplório de dizer somente o proferido. De quando em quando, se não na maioria, o contrário da ideia é o propósito a ser disseminado.


Sendo brilhante ou opaca, simplória ou elaborada, estará sempre a cargo do receptor dar-lhe o sentido. Mesmo nos casos em que o transmissor for o receptor. Tais mecanismos, tanto o de criar ideias, como o de interpretá-las, permite mentirmo-nos. Eis que surge o que dá esperança: a dúvida.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Genérico e simples

Gosto de coisas genéricas e simplistas. Uma frase genérica que, simplesmente, explica o comportamento humano: “não quero ser sócio de nenhum clube que aceita pessoas como eu de sócio”. Pronto. Está feita a teoria com um simples parafraseado. Outra coisa que gosto de fazer é explicar tudo pela teoria da evolução, parece que tudo fica claro. Por que as pessoas são gordas? Só recorrer à teoria da evolução. Tudo resolvido. Na pré-história era difícil se alimentar, os Homens passavam dias sem comer, então os que tinham maior capacidade de acumular gordura (energia) sobreviviam por um período maior de tempo, portanto, os que tinham essa qualidade geravam mais descendentes. Poderia listar inúmeras questões e resolveria todas pela teoria de Darwin.
Voltando ao parafraseado. Não existe melhor frase para explicar a ambição do Homem, a insatisfação. É bem verdade que um ser que cria a designação querer nunca quererá ser sócio de um clube que o aceite. Heureca! Genérica, simplista, frase perfeita, teoria perfeita. Voltando à teoria evolucionista e fazendo uma ponte com a religião. Prefiro pensar que sou fruto de uma evolução natural, conforto-me, simples e genericamente. Vou confessar que roubei a idéia dessa última frase de um zoólogo, que declarou algo parecido em uma entrevista. Continuarei na linha do raciocínio dele. Tem gente que não consegue se confortar com essa idéia e recorre ao sobrenatural para explicar a vida, assim sente-se confortável. Não questionarei o que cada pessoa faz para se sentir melhor, mais feliz, enfim. Só que existem coisas que me deixam pasmo. Ou até indignado. A discussão sobre o que será lecionado nas escolas públicas nas aulas de ciências: criacionismo ou evolucionismo. Só o fato de essa discussão existir já me dá uma ânsia. Claro que tem aquela frase famosa: Não concordo com uma só palavra que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las. Não consigo conceber nem o fato de existirem pessoas que discutam isso no âmbito científico. Abismado é o adjetivo mais próximo que consigo designar para o meu sentimento quanto aos criacionistas quando defendem a idade da Terra. Dá-me nos nervos que essa discussão ainda exista. Deus criar tudo e ponto final é genérico e simplista demais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Estratégia de Mercado - Terrorismo Psicológico

Você vai ao Mc Donald’s comprar um lanche. O preço de uma promoção (aquela que vem com batata e refrigerante junto) nunca é exato, é algo do tipo dez reais e oitenta e cinco centavos. Ao lado do caixa tem uma caixa de plástico transparente com algumas moedas dentro. Após pagar pelo seu lanche, o caixa pergunta se você quer doar o seu troco em moedas para as crianças com câncer. Você responde que sim. Imagina responder que não, além do olhar acusador do funcionário na sua direção, as outras pessoas que estão na fila o olharão com ar de reprovação. Afinal, você não seria tão muquirana, não negaria 15, 20, 50 centavos de seu dinheiro para ajudar as criancinhas doentes. Não você, que esbanja dez reais para gastar em um lanche. E não são crianças com uma doença qualquer, estão com câncer. Saca o terrorismo? Criança com câncer, “praticamente” obrigam você a doar o dinheiro.
O Mc Donald’s usa de terrorismo psicológico para a autopromoção e lucro. Usa o seu dinheiro para “ajudar” as crianças, abate a doação do imposto de renda e ainda fica com fama de bonzinho.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tudo virou hipótese

-Perplexo seria a palavra mais apropriada, imagino. Vamos discutir sobre o armário, ou melhor, um armário qualquer, feito de madeira. Madeira, todos sabemos de onde veio: árvore; a árvore é derrubada, cortada... Vira uma tábua. Agora pode ser trabalhada pelos marceneiros e virar um armário. Essa é a história do meu armário, onde guardo minhas roupas.
-Até aí tudo bem.
-Até aqui tudo bem?
-É só uma hipótese. Como o evolucionismo, criacionismo...
-Evolucionismo não é hipótese, é fato. A história sobre a origem do meu armário também é fato. Aprendi na escola.
-Criacionismo também aprendi na escola. Teu argumento não é válido.
-Não estou falando de aulas de Religião. Estou falando das aulas de Ciências.
-Então, aprendi criacionismo nas aulas de Ciências.
-Mas tu sabes do que eu estou falando...
-Sei não.
-Assim não dá para discutir, tu és muito cético.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Nada poderia ser diferente

Futuro do Pretérito expressa a maior de todas as crendices, a crença de que qualquer atitude passada poderia mudar o agora. O fato é que o acontecido não poderia ser diferente e pronto. O poderia já não existe e não há argumentos plausíveis para desdizer o acontecido. O fato acontecido é prova irrefutável de que não teria como ser diferente.
“Se eu não tivesse escrito esse texto”, o modo subjuntivo de igual maneira é superstição. Eu não poderia não ter escrito esse texto, posso até acreditar que não, e conceber teorias, mas nenhuma prova concreta conseguirei, o máximo que posso fazer é enganar-me, para vangloriar-me, de que eu poderia não ter escrito esse texto.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Horrorshow

Postura; roupas; costumes: teatro. Assim que levanto da cama, sozinho em casa, inicio uma bela interpretação para mim. Se há outras pessoas, elas também merecem um show a parte. Visto-me de um modo “convencional” (caçoamos das perucas utilizadas em filmes de época, espero não ser motivo de piadas, por utilizar camiseta e bermuda, em um futuro longa), não posso esquecer do meu público, que já espera certas atitudes, figurinos e falas do meu personagem. Se o contraste é grande, os espectadores chiam, esperam o esperado.
O andar ereto e de olhar sério é o esperado. Qualquer personagem que ande de modo um pouco dissimulado e com sorrisos estampados no rosto é tido como personagem de comédia. Às vezes pode ser um dramaturgo, escondido atrás de uma máscara sorridente, mas as interpretações são consensos, e o medo de confrontá-las é inerente a platéia e aos próprios intérpretes. Mesmo porque, não há diferença entre palco e platéia, todos são artistas e espectadores, uma democrática horizontalidade teatral.
Remetendo novamente ao passado, tantos rituais, burocratizações e figurações para obter a mão de uma dama, decapitar o réu. Remeto ao presente e percebo a arbitrária semelhança, por sermos personagens-platéia existe a dificuldade de enxergarmo-nos em longas medievais.
Quando digo, interpretações para tudo, digo: interpretações para tudo. Para abrir a geladeira, para conversar internamente (diálogos-monólogos). Nada escapa do espetáculo - sentido literal da palavra nada, contrário de tudo (tudo no sentido de totalidade absoluta, o infinito viável). Poderia me alongar em exemplos infindáveis, mas a frase, “nada escapa do espetáculo”, interpretada no sentido literal, já homogeneíza todos os exemplos, a única coisa que poderia fazer, seria elencar alguns consensualizados mais pudicos para a humanidade: sexo, escatologia, religião.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Polo-Aquático das Arábias

Super-idéia: Time Mania para ajudar os desabrigados, desalojados e as microempresas que sofreram com a enchente-enxurrada-avalanche. Outra: Em vez de cobrar os impostos a qualquer custo, mesmo o vendedor recebendo os pagamentos parcelados, tem de pagar as taxas governistas à vista, deixem de cobrar e depois resolvam com a Time Mania. Mais uma: financiem, subsidiem, ajudem essas família-empresas, que geram empregos e impostos, dinheiro para os governantes, ajudem eles com dinheiro público, que depois vocês conseguirão mais.
Qualquer coisa é só fazer a Time Mania, a solução para todos os nossos problemas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Tudo é Tudo e Nada é Nada

Indivíduos porra nenhuma. O ar não nos separa, une-nos. O pronome oblíquo da oração anterior significa: homo sapiens, chinelo, pedra, nuvem, canis lupus. Parte de um só corpo, tentarei denominar: Universo (se houver mais de um, ele englobará todos esses universos, enfim, Universo, para via desse texto, significa a abstração do tudo, do todo).
Propriedade não existe. O nada não existe, o vácuo não existe. “Tudo é tudo e nada é nada”, como já diria eu. Assim como a palavra abstrata nada, o tudo, contido dentro dele mesmo é coisa abstrata. Mas, na prepotência de tentar explicar e compreender o Universo, o tudo, contido nele mesmo, é o mais próximo do concreto que consigo imaginar.
E se, qualquer objeto sideral, macroscópico, ou no âmbito atômico, microscópico, consegue transitar (não acredito em tempo e movimento, pararei por aqui, se não o parênteses ficará maior que o texto) entre dois pontos divergentes, é porque algo ali é existente, analogicamente, atravessamos a rua através do ar.
Também, dentro da abstração do tudo e todo, só consigo imaginar uma perpetuidade contida nela mesma, do sempre foi e sempre será. Momento inicial de criação, Big-Bang, ou momento final, Big-Crunch, chamem como quiserem, dia do juízo final, enfim, não faz lógica na minha cabeça. Não que faça lógica a abstração da perpetuidade contida, mas é a abstração que mais se aproxima da minha tentativa prepotente de explicar o inexplicável (será mesmo inexplicável, segundo umas partes, que se dizem indivíduos, do Universo, de proporções atômicas em relação ao todo, é inexplicável).
Abrirei um parênteses, “dentro de toda a aleatoriedade e da grandeza do Universo, surgiram, surgirão ou surgem (não surgem, surgirão ou surgiram) inúmeros tipos de objetos (individualizarei para a tentativa de tradução desta idéia): bolas de fogo, bípedes, carbono, ribossomos, vírus, meteoros, cadeiras etc etc etc”, constato.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A racionalidade destrói o Planeta Terra

Manchete de capa dos principais impressos



Terra, fogo, vento, água, coração! Pela união dos seus poderes, eu sou o ser humano! Coração, traduzido no contexto: sentimento que só os seres-praga do planeta Terra conseguem desfrutar, os criados à imagem de Deus. Expliquem-me, por misericórdia, qual a diferença entre teocentrismo e antropocentrismo.

O dicionário difere, perdoe-me a arrogância, eu não. Até o dia quatro de dezembro de 2008, foi constatado: a racionalidade destrói o Planeta Terra. Células cancerígenas, nada mais, criadas de Deus, com a missão: destruam o Planeta de Lúcifer. Lúcifer, de modo demasiado, ama o Planeta Terra. Só quer viver como a serpente, que outrora, vagara pelo Jardim de Éden. Uma maçã foi bastante para expulsar Adão e Eva de lá. Agora o trabalho ficou ardiloso. “Adão e Eva” reproduzem que nem pragas (ou as pragas reproduzem que nem Adão e Eva): de duas células, para 6,5 bilhões.

Gostaria eu poder-me dizer mamífero. Ao contrário dos mamíferos, somos desarmônicos, desafinados. E, ressalva dada, dizem por aí, ser a nossa maior qualidade, a racionalidade: dissonância harmônica da orquestra Planeta Terra, Sistema Solar, Via Láctea, Universo, Multiverso...

Concluiremos o objetivo a que viemos? A guerra está aí, que não se espalhe para os confins, que a Terra seja um mero peão, e que reine absoluto Lúcifer.

domingo, 30 de novembro de 2008

“É que Narciso acha feio o que não é espelho

E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho”


“Morte, a melhor invenção do homem”. Como as obviedades surpreendem, idéias simples, geniais. De tão simplórias penso, “mesmo eu poderia ter pensado”. Subestimações a parte, quando leio frases de grandes autores, não me penso como criador delas, apesar de várias tentativas de formulações do tipo, “só sei que nada sei”, Sócrates.
A primeira frase desse texto foi dita por Steve Jobs em um discurso de formatura de uma importante Universidade dos EUA. O cara não tem curso superior, pelo menos não da maneira ortodoxa e taxativa com que a sociedade se limita a classificar quem tem ou não o saber devido a um diploma. Esse cara (não o chamarei de Jobs, nem de um dos criadores da Apple) é simplório e corajoso. Corajoso o suficiente para fazer o que acredita e acha certo. Simplório por obedecer não só a razão, deixar-se guiar um tanto pela emoção, pelo que sente que é o correto.
Faminto, apaixonado. A razão inibi a impulsividade, arrogante como somos, julgamos saber tudo e até o que é melhor para nós, condicionamo-nos a pensar que a melhor escolha a se fazer é a racional.
Somos a raça superior: prepotente-narcísica-egocêntrica.
Parte1

Parte2

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Eu, robô?

Sempre que desço do meu apartamento para a área livre em volta do hall de entrada, com o pretexto de fumar um cigarro, e convido algum amigo para papear, os papos se repetem esporadicamente. Hoje a conversa retomada e ensebada foi: as crianças que não estão embaixo dos blocos (moro em um condomínio de cinco blocos) brincando. E os papos envoltos, do que podemos chamar de o principal tema, seriam: nostalgia, capitalismo, consumismo, pessoas-máquina etc.

Falo mal dessa geração computadorizada em ambos os sentidos: nascem pensando que nada fora do Google é real e são robotizadas desde o nascimento. O que antes era o papel da televisão, agora é do computador. Só que a TV não é tão autoritária quanto um computador e não exige tantas horas de dedicação.

Polícia e ladrão, esconde-esconde, pique-bandeira, detetive, stop, forca, nada disso mais presta. “Corrida de tampinhas, cavávamos na areia do parquinho para fazer as pistas, as regras: quem sair do percurso volta para o início, ganha quem chegar ao final da corrida com o menor número de petelecos”, recordo-me.

O que vejo hoje são crianças barrigudas, ensebadas de Mc Donalds em volta de suas bocas. Subir em árvores para pegar uma fruta sem agrotóxico, contarei um dia que fiz isso, do mesmo jeito que me contam sobre a época que não havia televisão e eletricidade. Ah, já ia esquecendo, brincar de aventura, subir, trepar, pular, descer, escorregar de muros, pedras, árvores, qualquer lugar pouco confiável, também deixou de ser divertido.

Deixando a nostalgia de lado, essa geração de autômatos fica em casa, sob vigilância de seus computadores, os pais, os pais estão tranqüilos, seus filhos não quebrarão os braços nem as pernas e ainda estão se preparando muito bem para o futuro, o futuro é a internet, são os computadores, são as inúmeras línguas que esses adultinhos aprendem. E os pais? Os pais contam com maior orgulho, “meu filho só tira dez no boletim, vou levá-lo ao Mc Donalds como recompensa”. “Meu filho tem dez anos e fala inglês, espanhol e aramaico, entende tudo de computador”. “Meu filho está preparado para o mercado de trabalho, vai ser engenheiro não sei das quantas, ganhará não sei quanto”. “Meu filho, meu filho, meu filho"...

“Não sei o que acontece com meu filho, me mato de trabalhar, dou tudo pra ele e ele nunca está satisfeito”. “Quantos não gostariam de ter essa vida, e meu filho só reclama”. “O que foi que fiz de errado?”. Uma geração de pais que culpam os próprios pais e se culpam. Uma geração de filhos domesticada pelos computadores. As mulheres estão trabalhando, os homens trabalhando mais ainda, os filhos estão atolados de tarefas, sendo produzidos em série, só falta o código de barra (será que falta?), quem os consumirá? O mercado, o mercado precisa dessas máquinas. Os jogos e programas de PCs já os instruem desde pequenos a serem produtos para o mercado, os pais caíram na balela das propagandas (televisão, filmes, novelas, “jornalismo”) por se sentirem culpados pelo tempo que não passam com suas crianças, lhes dão matéria, e virou um ciclo vicioso: cada vez mais culpados, cada vez mais matéria, para mais matérias, mais trabalho.

Enquanto isso, os grandes consumidores dessa geração estão bem, estão garantindo os produtos que eles querem. Só que esses robôs encomendados por eles, demoram para ser feitos, uns vinte anos pelo menos. Fico pensando quando começarão a colocar agrotóxicos e adubos artificiais nos bebês e crianças para que elas aprendam e cresçam mais rapidamente. Ou será que já está sendo feito isso?

Vicente Figueiredo