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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Quem pretende ler 1984 não deveria ler este texto


    “Nos encontraremos num lugar onde não há escuridão”, disse O’Brien a Winston. O que não se passava pela cabeça de Winston era que a falta de escuridão é pior que o próprio breu; que o excesso de luz cega de maneira ofensiva – muito pior que qualquer trevas. Winston ficou aliviado, afinal de contas O’Brien era realmente seu aliado; era contra o sistema que enegrecia e corrompia e distorcia, de forma sorrateira, a história do país em que viviam.
    Winston não suportava - apesar de participar do processo - a idéia de os fatos serem distorcidos de acordo como melhor se enquadravam no momento político do país. Ele fazia parte disso, era cúmplice: redigia e reescrevia os fatos todos os dias; e os livros e jornais antigos eram queimados, para não haver dúvidas de qual versão era a verdadeira. Sabia que tinha algo de errado com o país em que vivia; ou seria com ele? O’Brien lhe tirou a dúvida: se alguém, tão lúcido e altivo como O’Brien, também achava que tinha algo errado, que o modo como as coisas funcionavam não deveriam ser assim, talvez, ou quase certo, Winston não estava ficando louco.
    Sentiu uma mistura de alívio com euforia; ele era sano; e o mundo, insano. Precisa, agora, dar um jeito de comunicar-se com O’Brien, de aliar-se a ele. Se O’Brien acreditava que outro mundo era possível, outro mundo deveria ser realmente possível. Porque, para Winston, viver num mundo sem história fatídica era impossível. Ele vivia num mundo impossível. O que fazer agora para alçar o mundo possível? Certamente O’Brien saberia a resposta. E Winston estava disposto a ajudar, a se sacrificar, se fosse necessário; faria de tudo para construir um novo mundo, baseado no fato e não na ficção: um mundo não fictício, onde todos poderiam confiar nos livros de história.
    Foi feliz do trabalho para casa. Precisava contar o que ocorrera para Júlia; sua suspeita se confirmara: O’Brien era mesmo aliado, e haveria de ter um plano para a construção de um novo mundo. Afinal, O’Brien lhe dissera: “Nos encontraremos num lugar onde não há escuridão”. Chegou entusiasmado em seu apartamento. Passou a mão no telefone e ligou para Júlia – havia esquecido completamente que há de se ter extremo zelo ao falar de certos assuntos, porque a polícia poderia prendê-lo ou até mesmo matá-lo; ninguém sabia ao certo o que acontecia com os contestadores do sistema.
    Acordou num lugar claro, tão claro que não conseguia discernir de onde vinham as luzes. Não havia salas nem corredores; tudo o que se podia ver, ou tentar ver, era um galpão enorme, que não se sabia que altura, largura e comprimento tinha. Winston não sabia se Júlia também havia sido pega. Será que ele tinha estragado tudo? Será que até O’Brien se ferrou por causa daquele estúpido telefonema? Ele sabia que dificilmente os veria de novo; e que provavelmente assinara sua sentença de morte. Se pudesse faria de tudo para salvar os dois, mesmo que tivesse que sofrer por anos a fio antes de sua execução.
    Passado o susto, ele conseguiu organizar os fatos em sua mente e lembrar o que acontecera após chegar em casa e discar para Júlia.
    “Ele é nosso aliado. Ele é nosso aliado, Júlia. Certamente ele deve ter um plano. Vou falar pra ele que você também é aliada; que você também não concorda com o sistema”.
    “Cala a boca, Winston. Eu não sou contra o sistema coisa nenhuma, nem sei do que você está falando. E não me incomode mais”.
    “Tu tu tu tu...”
    Júlia sabia que Winston tinha cometido um grande erro, e previu, e acertou, o que poderia acontecer. Mas, mesmo falando daquele jeito ao telefone, ela não conseguiu escapar. Também fora pega e estava “no lugar onde não há escuridão”.
    Quinze minutos após Júlia desligar o telefone - na mesma hora Winston se deu conta da burrice que tinha feito -, bateram à porta. Ele abriu-a e bum; nem viu o que lhe atingira. Quando acordou não via nada. Se deu conta que a claridade absoluta é quão ruim ou pior que a escuridão. E, se O’Brien havia lhe dito que se encontrariam num lugar onde não há escuridão, era porque ele não era seu aliado e sim aliado do sistema. Se sentiu aliviado, porque, a qualquer sorte, mais cedo ou mais tarde, ele e Júlia haveriam de ser pegos, pois acreditariam piamente em O’Brien. E O’Brien era um agente duplo.
    Pensando melhor, Winston concluiu, ele já sabia que haveria de morrer e que sua luta contra o sistema seria em vão. Ninguém pode ganhar do sistema; o máximo que se pode fazer é aceitá-lo e assimilá-lo. Quem houvera colocado essa história de mundo justo, moral, ético, livre – mesmo porque essas construções abstratas eram tão absurdas quanto à idéia de modificar o sistema – Winston não sabia. Por que ele havia de ter esses sentimentos; essa preocupação com os proletários, com o fictício e o fatídico, com os livros de história? Enfim: por que haveria ele de se questionar tanto em vez de viver numa boa? Por que, justo agora, que estava namorando com Júlia, não se abstivera de seus ideais? Por que dar murro em ponta de faca? Chegou a conclusão que cometera suicídio, e levara junto Júlia – justamente sua grande paixão. Realmente ele não merecia viver: um ser humano que, se pudesse prever o futuro, faria o que ele fez, precisa morrer; sofrer, sofrer e morrer.
    Uma alegria cálida invadiu o corpo de Winston. Ele sorriu: afinal, o mundo era justo.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

"liberdade: uma destas detestáveis palavras que tem mais valor do que significado" parte II, que deveria ser a parte I


    Quero dormir e ficar acordado; comer e jejuar; fixar-me e me mover; conversar e me calar. Sinto e não sinto, concomitantemente, vontade de mijar e cagar. Sou a melhor e a pior pessoa do mundo. Sou solidário; me importo com os outros. Sou egoísta; só penso no que será melhor pra mim; nada mais.    
    Necessito de um emaranhado de pensamentos, maior do que os habituais, para poder não pensar, ou poder pensar por mim com nenhuma ou menor influência externa. Só preenchendo o casulo, atordoando-o com excesso de informações, é possível ser livre de falácias externas. Antagônico? É o único jeito, pois, a partir da inserção social, a contaminação está feita, e as vozes externas e internas já não se distinguem mais.
    Preciso juntar todos os discursos, construções do âmago e do exterior, misturá-los e confundi-los ainda mais, deixando a confusão e caos tomarem conta. Porque, livrar-se de todas as retóricas, é impossível; exceto aos perversos: os únicos que se podem dizer livres.
    “Liberdade: uma destas detestáveis palavras que tem mais valor do que significado”. Cito a frase sem dizer o autor por ignorância. Li ela numa edição da Caras, na seção de pensamentos de personalidades. Voltando à citação, quero ilustrar duas possíveis hipóteses. Primeiro, a pior delas: em um mundo onde todos fossem livres (perversos) e fizessem tudo o que lhes der na telha, o caos reinaria; viveríamos na barbárie. Conclusão: concordaríamos com o pensamento citado: é impossível ser livre numa sociedade civilizada. A segunda, um pouco mais romântica, é que seria possível sermos livre, contanto que evoluíssemos a tal ponto onde não seríamos egocêntricos, abafaríamos o ego a tal ponto que sentiríamo-nos parte dum todo; conseqüentemente não sairíamos “nos” matando ou “nos” agredindo. Mas, a segunda hipótese, que a primeira vista pode parecer romântica e utópica, esconde a face da desumanização que acarreta uma perda de individualidade. Conclusão: para sermos livres precisaríamos perder a essência humana: a individualidade. O que seria uma contradição, já que para ser livre teríamos que abolir a palavra liberdade do vocabulário, pois seu sentido real deixaria de existir. Sem individualidade e capacidade de escolha “liberdade” e “livre” perderiam o sentido de serem acoplados ao dicionário. Portanto também cabe a esta hipótese a frase retirada da Caras.
    Ainda poderia abrir para mais possibilidade - que seria mais utópica que qualquer sistema socialista e capitalista já sonhados e mais abstrata que qualquer conceito de justiça ou de bom e mau – que tentarei descrever: seríamos todos livres (perversos), mas nossos sentimentos e vontades verdadeiras seriam compatíveis com o mundo civilizado e não haveria barbárie; não necessitaríamos de poderes; para tentar resumir e exemplificar o máximo que consigo: não necessitaríamos de polícia e nem nos policiarmos uns aos outros nem a nós mesmos, e também não existiriam grandes. A anarquia utópica.
    E, tentando ser livre, saí do transe. O som ainda penetrava fundo em minha mente; a caixa de som colada à orelha. E todos dançando como se espera que dancem; com medo de parecerem retardados.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Hospital psiquiátricos e Centros Espíritas


   Eu estava internado em um hospital psiquiátrico há três dias. Já começava a sentir vontade de me matar. Descobri que minha prima também era interna do hospital. Ela vomitou seu espírito em um copo. Me falaram que se eu tomasse o espírito dela eu morreria. Foi o que eu fiz, foi o que ela fez. Quer dizer, ela tomou mais do que eu, eu desisti no meio porque percebi que aquela horrível experiência poderia me render um bom livro, e tentei me livrar da morte vomitando o espírito vomitado. Foi uma loucura quando acordei.

 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

delongasculpa ou deculpalongas

   
    Não adianta. O negócio é sentar e escrever. Sem recuar. Sem pensar. Sem estratagema. Sentou, escreveu, tá pronto. O problema são as veadagens, digo, preocupações que atormentam o imaginário: que nunca tá bom o suficiente, que poderia ser melhor, que alguém lerá e não gostará; essas boiolices todas, ou todas essas boiolices, sei lá. Só o que faltava é ter a ambição de escrever um baita texto num blog, ainda mais no meu que é lido por meia dúzia de gatos pingados – quero deixar bem claro que não estou menosprezando os gatos pingados, só estou menosprezando meu blog, apenas isso. Então o negócio mesmo é sentar e escrever. Sentei, escrevi, pronto. Pode perceber, você leitor, você leitora – ou você leitora, você leitor, antes que alguma feministazinha barata venha me questionar a respeito da ordem dos gêneros -, que há tempo venho escrevendo sobre escrever, isso tudo por causa da falta de criatividade, e bem por isso tenho que menosprezar meu blog para não me menosprezar, desdenhando-o consigo um argumento, plausível ou não, que me legitime escrever sobre escrever.

    Então faço assim: escrevo sobre escrever e vomito um emaranhado de justificativas confusas com intuito de me safar. Vê se pode um troço desses? Fico eu aqui, dizendo pra mim mesmo – mentalmente, tá?, não estou ou sou tão louco assim -, arranjando desculpas para não ter que pensar em algo de novo para postar aqui, ou digo que faço isso pra não ter que pensar em algo novo porque na realidade não consigo pensar, realmente, em algo novo, neurose, neurose, neurose, e por aí vai. Veja, você, que eu disse que não estou ou sou tão louco ao ponto de falar sozinho, mas justificar-me perante uma massa (meia dúzia de gatos pingados) sem rosto e entrar em um ciclo neurótico vicioso de justificativas tudo bem pra mim. Quanta incoerência, quanta neurose, quanta mentira. E só mais uma coisa, odeio esse tipo de gente que fica se justificando o tempo todo.

sábado, 14 de novembro de 2009

O elevador caiu pra cima

 
    Eu, particularmente, em minha própria opinião, expresso toda a revolta, advinda do meu âmago, que possuo dentro de mim mesmo. Mais precisamente, quando digo que subir pra cima ou descer pra baixo não são pleonasmos, não estou apenas defendendo uma hipótese absurda criada por um insano com disponibilidade ociosa muito maior do que deveria, possibilitando, assim, uma teoria conspiratória a respeito de pleonasmos, quero, realmente, dizer que tem fundamento baseado, principalmente, na especificidade de que um considerado pleonasmo possa acrescentar a uma ideia.
    Por exemplo, esses dias, soube duma história, e não soube duma estória, de um elevador que caiu pra cima. O cara saiu branco, não chegou a se machucar, mas é óbvio que qualquer queda de elevador, em qualquer direção, tanto pra cima como pra baixo, tem o poder de causar espanto. E claro que também causou-me interrogações, afinal, contaram-me que o elevador caíra pra cima. Mas achei a explicação bem plausível, aliás, a única maneira de expressar que o contra-peso, que equilibra e dá a cadência certa ao elevador, rompera e fizera com que o elevador subisse, subitamente, até o último andar, como consequência a brancura do homem que caiu pra cima. E ele disse que o elevador caiu, e caiu mesmo, não haveria outra maneira de contar este fato, sem entrar em maiores delongas, do que dizer que o elevador caiu pra cima, porque o sentimento foi de queda, de o quedar súbito, e a expressão que melhor designa isso, por mais absurda que possa parecer, é: o elevador caiu pra cima.

sábado, 7 de novembro de 2009

Utilidade Pública

Consegui postar nada. Não consegui postar nada. Se não consegui postar nada é porque consegui postar algo. Se postei algo é porque não consegui postar nada. Se consegui postar nada é porque não postei algo. Se não postei algo é porque postei nada. Queria postar nada. Não consegui postar nada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Redutor de neura


    Jogo. Leste jôgo ou jógo? Tá, foi só um caricaturismo. Pára com isso. Agora, com essa palhaçada (acordo ortográfico), seria: Para com isso. E se só colocasse Para com isso, sem antes contextualizar... Ambíguo? É, eu sei. Pediria um complemento, no segundo caso [(Para usado como preposição) te subestimo demais? É fruto da neurose de ser incompreendido]. Porventura, quisesse eu,  por motivo qualquer, frasear de maneira incompleta, sem contextualizar, ficaria à mercê da tua interpretação (obviamente, sempre fico, mais ainda sem o acento diferencial).

    Pra quê simplificar se se pode complicar? As nuanças da língua propiciam maior proximidade - não significa que chegarei a estar próximo de ti -, menor desaproximação (afastamento). A minúcia, a meticulosidade, o pequeno detalhe (tá!, não vou ficar explicando aqui o pleonasmo do pequeno detalhe e nem os sinônimos “desnecessários”) são, necessariamente (invariavelmente), necessários, principalmente pra ti e pra mim, pois permitem a diminuição das neuras. Será que entendi o que quiseste que eu entendesse [(aqui, há uma rápida inversão de pessoa em relação ao pronome - o escritor se transforma na segunda do singular e o leitor  na primeira - para, na frase seguinte, voltar ao que era) ficou um tanto rodapé e quebrou a fruição, fazer o quê?]? Será que entendeste o que quis que entendesses?

domingo, 25 de outubro de 2009

Redundância Redundante

   
   Voltei pra esse demonho. Voltei para o sublinhar incessante. Sem problemas, já estou acostumado, ou penso estar. Tá parecendo mais uma continuação do outro post; será que agora só vou escrever assim?, sobre essas inutilidades escritórias... Imagino que não. Pararei por aqui. Nada de tá, escritórias, começar frases com pronome oblíquo, nada disso. Voltarei à chatice de antes, não que isto aqui não seja chatice. Opa, já ia me esquecendo, sem repetições também, mas vou deixar esta última passar por preguiça. Agora, vou dar uma desculpa para falta de assunto: perdi o fio da meada porque a campainha do telefone soou e atendi e falei durante poucos minutos. Só o que me resta, neste instante, é falar baboseira, é discorrer sobre a falta de assunto. Aquela velha história já ensebada: escrever sobre vísceras; que tática mais mesquinha. Bolei um título agora, que, de repente, será uma grande justificativa para todo este engodo seboso.

    Veja o tão podre posso ser. Escrevo e denigro e viscero (fui obrigado a criar este verbete aqui, mesmo já tendo prometido não o fazer mais), assim fica claro que tenho ciência da besteira que estou falando, assim, acho eu, torna-se mais tragável para ti e para mim; faz-me pensar que poderia produzir um texto melhor e faz-te imaginar o quão criativo e engraçadinho é este blogueiro. “Tem, pelo menos, senso de humor, e isso já é alguma coisa”. Denunciei-me, o que estás a pensar (estás a penar, que coisa mais lusitana) agora é que sou realmente mesquinho, produzir um texto só para ti pensares que, se, não sei escrever sobre qualquer assunto, tenho senso de humor para tirar sarro de mim mesmo. E se parares pra pensar bem, acabei reler o texto, até agora não falei nada com nada, ou melhor, falei nada com nada, ou melhor ainda, falei nada, ou disse coisa alguma. Esta última frase mesmo... E está última... E esta... E... E é claro que isto é só retórica; e o que não é retórica? Hein, hein?


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Blasfêmia


Comecei pelo título mesmo. Nem me dei o trabalho de abrir o word, vou por aqui mesmo, seja o que Deus quiser. Seja o que eu quiser. Pensei em ir direto ao assunto; resolvi dar uma embromeichon. Aqui, consigo até escrever embromeichon sem problemas, odeio o sublinhar vermelho do word, me irrita. Ou o verde, posso começar uma oração com um me. Nunca tinha pensado nisso, mas, às vezes, o word pode constranger um tanto a liberdade poética. Por outro lado, pelo tamanho do retângulo que tenho para escrever diretamente pelo blog, acabo tendendo a me limitar a redigir pouco, odeio essa mania também de sinônimos, queria mesmo escrever que acabo tendendo a me limitar a escrever pouco, só por essa justificativa terei que escrever (repetir) - ó aí ó, a terrível mania de fugir das repetições das palvras - escrever um número maior ainda de vezes, só para constar que foi proposital a repetição condenada. A frase originalmente formulada ficaria, e vai ficar: ... acabo tendendo a me limitar a escrever pouco. É isso aí. Gosto de repetições. Gosto de escrever errado, gosto de começar frases com pronome oblíquo.


Está acabando o maldito retângulo, é claro que ele não é limitatório (mais uma vez terei que justificar, simplesmente não quis escrever limitador, acho mais bonito limitatório), mas acaba influenciando a escrever menos, não gosto de ver escrito só o que o retângulo suporta, gosto de ver o texto na íntegra, sei que na hora da postagem aparecerá por inteiro, de qualquer forma, tanto escrever no word, como no próprio blog, me incomoda. Talvez um dia me acostume, talvez não. Talvez. É óbvio que é talvez, o que na vida não é talvez (ponto de interrogação). Enfim, di-lo-ei a quê vim. Ah, também gosto dessa merda aí de mesóclise, pode ser um tanto controverso, mas, afinal, pra que tenho blog, se não é pra blasfemar livremente, mesmo, muitas vezes, eu me auto-censurando. Então, voltando ao assunto principal, ou inicial, ou o que fora considerado por mim a inspiração para começar este post: eu abandonei a leitura de "Hamlet". Abandonei, (interrompi o aparelho de DVD quando assistia, qualquer merda de substituição sinonímia) duas vezes, "2001, uma Odisséia no Espaço", entre outras tantas blasfêmias que já cometi. É claro que é só retórica. Agora o final deste post tá me complicando, tô com sono e preguiça de continuar escrevendo e preguiça de ir pra cama e preguiça de levantar da cadeira e preguiça de bolar um final. Certas horas até receio em me arrepender de admitir essas blasfêmias, tem outras tantas que preferi ocultar. Outros livros e filmes inacabados. É isso aí (pensei em um final assim: prefiro blasfemar para os outros do que blasfemar pra mim; obviamente me auto-censurei e não tive coragem de colocar um final destes).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Jaspion e Gabriel


Jaspion, eu, Gabriel Pensador e Zé.

Pior (ou melhor) de tudo: os três tocavam na mesma banda. E pra quem não acreditava em mim, quando contava a história, tá aí a prova.

sábado, 26 de setembro de 2009

Metamorfose Escatológica


Imaginem, vocês, o raciocínio lerdo, atormentado por uma fagulha que insiste em não parar de cutucar o fundo raso da cabeça deste humilde que vos fala. Imaginem a ânsia, a angústia de materializar e exteriorizar, nem que seja o pior dos excrementos, nem que sejam as vísceras. Falar das vísceras é um troço complicado, tem grande chance de ficar um tanto, digamos, lugar comum, talvez piegas, ou até uma exibição disfarçada de autocrítica. Tática mais velha que subir pra cima (essa frase também está desgastada). Enfim, a artimanha de escrever sobre vísceras, e ainda antecipar o leitor expondo as mazelas do próprio texto, é mesquinha. Claro que pode sair um bom texto, sobre qualquer assunto pode-se escrever textos bons; não aqui, não hoje, é claro. Esse negócio de tentar ser humilde tá ficando chato. Essa coisa de ser arrogante também. Pior ainda é essa mania de tentar achar um meio termo para tudo. Tudo agora é a porra do bom senso. “Nem de mais nem de menos”. “Tudo que é demais faz mal, até água”. “Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar”. Chavões ensebados no dia-a-dia. Poderia dizer que entram por um ouvido e saem pelo outro. Não, não poderia. Aquele sebo fica entranhado nos tímpanos, entrou e saiu, mas a gosma melequenta perpetua. Não se dá tempo para secar.

É tão visceral que, ao falar de entranhas, este, nem humilde, nem sabido, nem meia-boca (ou tudo isso junto), que vos fala, é obrigado a dividir estes ditos populares de merda que atormentam seus pobres ouvidos. Está tão entranhado que, ao falar de vísceras, este obriga-se a compartilhar a baba que lhe escorre pelos ouvidos todos os dias, aquela gosma grudenta que insiste, em vão, em limpar. Às vezes é bom olhar para dentro e deixar o bolo fecal sair. Vomitar, cagar, arrotar, escarrar, mijar, peidar. Depositar tudo num papel branco e depois jogar fora. Esgoto abaixo, mar abaixo, rua abaixo... Expor as entranhas, vísceras e bolo fecal a todos numa folha, que outrora, fora um belo pedaço de papel branco.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Leitura Divertida


Cansei de ler livros pela metade. Não vejo problema algum. A leitura tem que ser prazerosa, como assistir a um filme. É claro que, quem quiser se aprofundar mais na literatura ou no cinema terá que apelar para os clássicos, aí já não é mais entretenimento e sim uma busca de conhecimento. Desde criança aluguei filmes. No começo eram desenhos, filmes de super-herói, essas coisas. Depois, por influência, principalmente da minha mãe, comecei a ver filmes legendados, algumas porcarias que escolhia. Hoje, de vez em quando, consigo locar algo que me acrescente, às vezes até me forço a ver longas desagradáveis com o intuito de adquirir conhecimento, outras vezes paro de ver pela metade mesmo, sem remorsos.

Quando criança, minha mãe lia livros para mim, muitas vezes a mesma história se repetia todas as noites até eu enjoar. Na escola os professores recomendavam literatura infantil, depois infanto-juvenil, até chegar o segundo grau. Todo o pensamento é voltado para o vestibular, e os que deviam ser os nossos incentivadores de leitura recomendam livros chatos para moleques de quinze anos, e ainda querem que os leiam. Uns tantos adolescente lêem porque têm medo de irem mal nas provas ou já são condicionados, desde bebês, a serem competitivos, e nessa fase já estão preocupados com o mercado de trabalho, conseqüentemente com o primeiro teste para ver quem são os mais aptos a ganhar dinheiro e fazer uma carreira de sucesso (não pelo meu ponto de vista): o vestibular.

O hábito da leitura torna-se uma obrigatoriedade chata, onde, na maioria das vezes, quem lê as obras propostas tem desprazer. Ninguém é obrigado a gostar de todos os clássicos, nem querer lê-los. Ler deveria ser como ver um filme, aos poucos o gosto vai se apurando por si só, e a curiosidade levará às obras de qualidade, não como uma coisa imposta, mas naturalmente, como faço quando vou à locadora. Hora tenho vontade de pegar um filme tolo, hora loco um de qualidade, que me acrescentará. Deveria ser assim também com os livros. Mas não é. Porque ler livros virou sinônimo de ser cult, e ninguém quer ser pego lendo Paulo Coelho, por que não ler Paulo Coelho (e isso que estou falando de um autor que abobino)? O importante é ler, é assistir filmes, se não for um momento de prazer, ainda mais para quem não precisa disso com finalidade de sustento, não se tornará hábito. Leio porque gosto, vejo filmes porque gosto, se não me dá prazer fecho e desligo, o livro ou o DVD-player, a não ser que esteja num momento de adquirir conhecimento, por vezes faço esforço e vou até o final, mas digo com a ênfase de um presunçoso ignorante: este livro (ou filme) é uma porcaria.

sábado, 29 de agosto de 2009

Jesus é o Senhor

João Matheus, 26 anos, casado há seis anos, pai de dois filhos, fisioterapeuta. Não bebo, não fumo, não uso drogas, não jogo. Sou evangélico, frequento a igreja todas as quartas e domingos, religiosamente (com o perdão (e mais um trocadilho) do trocadilho), às 20h. Prazer.

Se existissem apenas Joãos Matheus... Que maravilha! Infelizmente o mundo não vive só de Joãos e Matheus, muito menos de Joãos Matheus; é duro, porém verdade. Um dia quem sabe, a sociedade será purificada e retificada, aos poucos os Josés tornar-se-ão Joãos Matheus, obedientes aos dez mandamentos, e enfim o Éden retornará, como num lindo e romântico filme que se chamaria “O retorno de Éden, a missão”.

Não haverá mais jogadores inveterados destruidores de lares, alcoólatras alucinados ao volante, fumantes poluindo o ar puro das cidades, drogados pedindo esmola e roubando para sustentar o vício, assassinos, ladrões, adúlteros... E a vida eterna estaria garantida a todos, que repousariam suas almas nos reinos dos céus, onde Jesus (alvo, olhos azuis e cabelos claros) é o Senhor.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Caras e Bocas

Ao entrar na sala, sem bater na porta, percebe que ali está sendo realizada uma reunião. Com a boca, a intrusa faz uma “cara” demonstrando o constrangimento de ter chegado à sala em hora imprópria. A expressão denominada de “cara” queria transmitir a seguinte mensagem: eu não sabia que vocês estavam em reunião, volto mais tarde.

Impressionante a capacidade de uma boca (digo, “cara”, ou melhor, expressão facial) tem de transmitir uma ideia, com sucesso e em frações de segundos, sem recorrer à língua (tanto o idioma, quanto o órgão localizado na cavidade bucal). É claro que uma “boca” (boca) só não faz verão, junto à expressão significante (significado e significativo) é necessário ressaltar a importância (de igual ou maior tamanho) do contexto a qual está inserida. Como o órgão beijoqueiro, ao expressar-se, necessita da contextualização do olhar, franzir da testa, contrair das sobrancelhas, a “cara” também depende de uma história por trás para que lhe atribuam o significado.

Falando em contexto, não se pode deixar de mencionar o repertório do emissor e do receptor da mensagem. O emissor - no caso a intrusa - pressupõe a capacidade do receptor - no caso os indivíduos em reunião - de inferir o significado, idealizado por ela, à sua “boca”. Devido a tantos fatores subjuntivos, a intrusa - desfazendo a “cara” que fizera ao entrar na sala e deparar-se com a reunião - retirou-se do recinto sem saber ao certo se fora compreendida. Do lado de dentro da sala, a reunião continuou, indiferente. Com muitas caras e bocas.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Enquanto isso no meio da rua...

Nas sinaleiras, já vi malabarista, palhaço, palhaço-malabarista. No centro da cidade, mais especificamente na Filipe Schimidt, os homens-estátuas dividem a cena com índios tocando violão, entre outros cantores ou instrumentistas. Até aí tudo bem, já estava acostumado com isso. Hoje, vejo um homem-estátua localizado perto de um sinaleiro, sobre a faixa amarela que divide as mãos da rua, fazendo uma pose em que, as pontas dos dedos das mãos tocam as pontas dos dedos dos pés, com a bunda virada para cima. Agora, além do calçadão do centro da cidade e das sinaleiras, há artistas de ruas também no meio da rua. Ah sim, fiquei pensando que, em vez de ser um homem posando daquele jeito, de bunda pro ar, poderia ser uma mulher-estátua, seria mais agradável.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Um outro lugar

Levanto, sento. Levanto, espreguiço-me, sento. Levanto-me, dou alguns passos, sento, caio no chão. A poltrona não estava lá. É claro. Esqueci dos passos dados. Paro por segundos, ergo-me, vou até a poltrona, sento-me. Sinto-me confortável agora, bem melhor que o chão.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pequeno Detalhe

Enclausurado na própria clausura. Aprisionado em seu apartamento. As janelas e cortinas não são abertas há algum tempo. O cheiro de mofo com cigarro predomina no ambiente. Há dias a televisão velha está ligada no mesmo canal. Pouco se levanta da poltrona em frente à televisão. Veste uma cueca velha e nada mais. Já não toma mais banho, nem faz a barba ou escova os dentes. No chão um emaranhado de guimbas de cigarro, comidas em estado de putrefação, garrafas, sacos-plásticos. Nem ele mesmo aguenta mais essa situação. Precisa tomar uma atitude. Já sabe o que fazer. Está esperando a coragem bater à sua porta. Não enxerga mais um motivo sequer para levantar-se dali. Tudo que havia feito em vida não existe mais, e tudo que poderia vir a fazer deixará de existir. Só lhe resta uma alternativa, a mais lógica, a única plausível. “Se algum dia hei de morrer, não postergarei o destino”.


Não se sabe quando, um dia decidiu acreditar na morte. Desde então enclausurou-se em seu apartamento e em seus pensamentos. Tentou de alguma maneira, apesar de cético, negociar a vida eterna com Deus, Alá, Buda, nenhum deles lhe respondeu. A partir daí, já sabia o que teria que ser feito. Acordou um dia com coragem, decidiu por em prática o simples plano: subir até o terraço de seu edifício – que tem onze andares – e se jogar de lá de cima. Acordou, levantou-se da poltrona, desligou a televisão, tomou um banho, fez a barba, escovou os dentes, penteou o cabelo, colocou uma cueca nova, um belo terno e sapatos novos. Acendeu um cigarro, se olhou no espelho, acocorou-se para amarrar os sapatos, estava pronto, impecável, quase com vontade de voltar à vida que tinha antes de ter essa epifania com a morte. Apagou o cigarro em frente ao espelho, vislumbrou-se mais uma vez e foi em direção à porta de saída do apartamento. Entrou no elevador e subiu até o 11º andar. Chegou ao terraço. Foi até a beirada do prédio, subiu no parapeito, mais um passo e estaria feito. Lembrou-se de uns momentos de alegria: namoradas, amigos, família. Não poderia concluir o plano, afinal tinha muito o que viver, chegou a conclusão que a vida era linda. Todo esse sofrimento não tinha sido em vão, agora tinha vontade de viver, de ouvir os cantos dos pássaros, de sentir o soprar do vento. Seu plano agora era viver, sem preocupações, sem buscar lógica na vida. Ela era simplesmente bela. Queria chegar em seu apartamento, fazer uma boa limpeza, ligar para os amigos, dizer-lhes que tinha readquirido a vontade viver. No momento em que descia do parapeito, pisou no cadarço que se desamarrara, e caiu.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Genérico e simples

Gosto de coisas genéricas e simplistas. Uma frase genérica que, simplesmente, explica o comportamento humano: “não quero ser sócio de nenhum clube que aceita pessoas como eu de sócio”. Pronto. Está feita a teoria com um simples parafraseado. Outra coisa que gosto de fazer é explicar tudo pela teoria da evolução, parece que tudo fica claro. Por que as pessoas são gordas? Só recorrer à teoria da evolução. Tudo resolvido. Na pré-história era difícil se alimentar, os Homens passavam dias sem comer, então os que tinham maior capacidade de acumular gordura (energia) sobreviviam por um período maior de tempo, portanto, os que tinham essa qualidade geravam mais descendentes. Poderia listar inúmeras questões e resolveria todas pela teoria de Darwin.
Voltando ao parafraseado. Não existe melhor frase para explicar a ambição do Homem, a insatisfação. É bem verdade que um ser que cria a designação querer nunca quererá ser sócio de um clube que o aceite. Heureca! Genérica, simplista, frase perfeita, teoria perfeita. Voltando à teoria evolucionista e fazendo uma ponte com a religião. Prefiro pensar que sou fruto de uma evolução natural, conforto-me, simples e genericamente. Vou confessar que roubei a idéia dessa última frase de um zoólogo, que declarou algo parecido em uma entrevista. Continuarei na linha do raciocínio dele. Tem gente que não consegue se confortar com essa idéia e recorre ao sobrenatural para explicar a vida, assim sente-se confortável. Não questionarei o que cada pessoa faz para se sentir melhor, mais feliz, enfim. Só que existem coisas que me deixam pasmo. Ou até indignado. A discussão sobre o que será lecionado nas escolas públicas nas aulas de ciências: criacionismo ou evolucionismo. Só o fato de essa discussão existir já me dá uma ânsia. Claro que tem aquela frase famosa: Não concordo com uma só palavra que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las. Não consigo conceber nem o fato de existirem pessoas que discutam isso no âmbito científico. Abismado é o adjetivo mais próximo que consigo designar para o meu sentimento quanto aos criacionistas quando defendem a idade da Terra. Dá-me nos nervos que essa discussão ainda exista. Deus criar tudo e ponto final é genérico e simplista demais.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Caixa de Pandora

Ouvi uma história sobre um episódio de um seriado que seria mais ou menos assim:

Um dia qualquer chega uma pessoa qualquer a sua casa. Essa pessoa toca a campanhinha, você abre a porta. “Olá, tudo bem? Em que posso servi-lo?”. O estranho que bate a sua porta carrega uma caixa de madeira com um pequeno detalhe: um botão vermelho na parte superior. Responde: “olá, tenho aqui uma caixa que possui um botão vermelho, se apertá-lo resolverá todos os seus problemas”.
Você fica se perguntando como que o simples apertar de um botão resolveria todos os seus problemas, e mais, quais seriam todos os seus problemas, e como um estranho saberia deles. “Se você apertar o botão automaticamente um milhão de reais será depositado em sua conta”, diz a pessoa, o estranho, a sua porta. E você, mais uma vez, confuso, se pergunta: “como poderia ele saber que estou passando por problemas financeiros”. Era bem verdade, você, com um milhão resolveria muitos, se não todos, os problemas. Quitaria sua casa, compraria um carro novo, pagaria a faculdade de seu filho. Você não teria motivos para não apertá-lo, não apertar o botão.
“Fique com a caixa”, diz o estranho, “quando quiser pode acioná-la. E quando apertar o botão uma pessoa que você não conhece e nunca irias conhecer morrerá”. Não fará nenhuma diferença em sua vida, já que, se for verdade, a pessoa que falecerá não teria interferência nenhuma em sua vida, basta apertar um botão e um milhão de reais será seu.
Você fica com a caixa, sua consciência fica em dúvida: “será que lidarei bem sabendo que uma pessoa será prejudicada por minha causa?”. Os problemas financeiros apertam, você será despejado de seu imóvel se não pagar a próxima parcela da hipoteca, você resolve apertar o botão. Que maravilha! Está tudo resolvido, sua vida está maravilhosa, casa quitada, faculdade do filho garantida, carro novo...
Eis que toca a sua campanhinha mais uma vez. A sua porta, o mesmo estranho, a mesma pessoa dizendo: “quero a caixa de volta”. Você, confuso, pergunta o porquê. O estranho responde: “darei essa caixa para uma pessoa que você não conhece e nunca viria ou virá a conhecer”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Menino e O Monstro

O menino deita na cama, sua mãe fecha o livro de histórias, beija a sua testa e deseja-lhe boa noite. A história que a mãe acabara de ler para seu filho era sobre um monstro que vivia debaixo da cama e comia criancinhas. Não sei se esse tipo de livro é o mais recomendado para ler a uma criança antes de uma noite de sono.
Em sua cabeça, o menino matutava cada detalhe estapafúrdio da história. Ele só tinha oito anos, mas percebera que a história fora mal contada. Não questionara a mãe no momento em que narrava o conto “O menino e o monstro”, até porque seria uma total falta de respeito, não só com a própria mãe, mas com seus antepassados, afinal, esse livro era lido e repassado há gerações, e era levado muito a sério por toda a família.
O menino não sabia se todos realmente acreditavam naquele conto, ou só fingiam acreditar para não faltar com o respeito com os mais velhos. Mas ele, mesmo que quisesse, não conseguia crer na possibilidade daquela história ser real. “Como pode existir um monstro? Como ele existindo, poderia viver debaixo da cama e nunca ser visto? E ainda, como ele sabia quais crianças eram boas e quais eram más, para saber qual ele iria comer? E ainda se soubesse, o mesmo bem e mal para o monstro era o dos seres humanos? Que história mais sem pé nem cabeça. Mas até que é boa para pegar no sono”